quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

On 04:55 by VPR Caçador in    No comments



Assim como toda família afastada de Deus, a minha também era símbolo de ruína e dor, pelo menos desde que passei a me entender por gente aprendi o que é sofrer, pois uma das maiores perdas da minha vida já aconteceu aos meus dois anos de idade, quando perdi meu pai – o que traria uma tragédia muito maior mais tarde – e passei a ser cuidado apenas por minha mãe, que ainda muito jovem passou a ter a responsabilidade dobrada, enquanto a mim restavam os comentários: O que vai ser dessa criança agora? Coitadinho, não vai ser ninguém na vida sem um pai!



Não demorou muito para a carência, solidão e necessidade fazerem efeito e após três anos eu já tinha um padrasto; e aí começa a outra tragédia, pois de um pai trabalhador agora eu tinha um padrasto que apesar de ter um bom coração era vítima das drogas que mais tarde passou a traficar, depois de haver percebido que o trabalho honesto não nos permitiria uma vida de qualidade; triste ilusão. E os comentários a meu respeito só pioravam: O que vai ser dessa criança agora? Coitadinho, vai ser mais um drogado!

Me lembro como se fosse hoje, o dia em que vendemos nossa casa para tirarmos meu padrasto da cadeia e as vezes em que eu corria com sacolas ou latas de leite em pó e achocolatados cheias de maconha ou cocaína para esconder em terrenos vazios. Ou as vezes que a mim era dada a tarefa de levar comida para meu padrasto que se escondia da polícia embaixo da ponte.

Também lembro de fatos interessantes promovidos por clientes da nossa “boca”: Um dia me esqueceram uma tarde inteira pendurado pela gola da camiseta num pé de laranjeira. Várias vezes presenciei pessoas ensanguentadas e sofrendo overdoses no banheiro de nossa casa.

Essa situação perdurou até meus treze anos quando meu padrasto foi assassinado a tiros por outro traficante. Na época dei graças a Deus, pois só assim não teria mais a polícia na frente da minha casa, e não veria minha mãe sendo traída e ás vezes espancada por ninguém. 

Foi um pouco depois disso que minha mãe começou a frequentar a Universal, na esperança de quebrar as maldições lançadas pela ex-mulher de meu falecido padrasto sobre nós. Nessa época apesar de chama-la de louca e burra por estar frequentando a igreja dos ladrões eu já podia perceber que suas idas na IURD a tornavam mais feliz e saudável, mas eu não dava o braço a torcer.

Nesse período, já adolescente, eu já estava acostumado a trocar de casa toda vez que éramos despejados pelos donos e procurar um pouco de prazer nas baladas, nas bebedeiras quase que diárias com os amigos – já que contra as drogas eu era bem vacinado - e na vida sentimental; ah a vida sentimental! Mais uma tragédia, talvez a pior de todas.

Quando eu me apaixonava por alguém, esse alguém me odiava, e quando alguém se apaixonava por mim eu é que não tinha interesse, mesmo assim eu pensava que o vazio dentro de mim seria preenchido por alguém e por isso nunca estava sozinho.

Foi quando apesar de minha mãe parar de me convidar para ir à igreja, eu fui convencido pela sua transformação e querendo resolver os problemas da minha vida sentimental, resolvi acompanhar um colega de trabalho nas reuniões da Terapia do Amor, e logo conheci também outras reuniões da igreja. 

Apesar de agora já ser maior de idade, a ignorância falou mais alto e mesmo ouvindo falar da fé eu não deixava de estar ansioso e preocupado com a minha vida sentimental, o que me levava a não abandonar as baladas e todas as festas que eu podia ir. Foi numa destas festas que eu resolvi usar a minha fé: Se Deus é comigo eu vou ficar com a menina mais linda desta festa! Não é que deu certo? Mas é claro que não foi Deus que ouviu aquela oração, não é?!

Foi uma relação de amor e ódio que durou pouco mais de um ano e por fim me afastou totalmente de Deus e me jogou em uma depressão terrível; eu frequentava os lugares me sentia vazio e só apesar de rodeado de pessoas e preferia voltar caminhando para casa derramando todas as lágrimas que podia chorar.

Mas um dia agente aprende, e eu aprendi a duras penas que depois de uma vida inteira de frustrações, perdas e sofrimento, somente Aquele Deus que eu tinha ouvido falar poderia me fazer feliz. Foi quando eu resolvi voltar, aceitei o convite daqueles que não desistiam de me dizer: Olha rapaz, Jesus está voltando, não dá mole! Volta!

A partir daí minha prioridade passou a ser outra e em minhas orações eu dizia: Olha meu Deus, eu já experimentei aqui dentro e também lá fora e agora eu escolhi, só quero o que for da tua vontade; eu quero ser um homem de Deus. Eu não passei apenas a frequentar a igreja, mas tomei uma decisão, me entreguei totalmente, abandonei as antigas amizades, os antigos lugares e tive um encontro com Jesus.

As consequências desse encontro começaram a surgir imediatamente; mudei meu jeito de ser e a alegria da salvação era tão grande que logo comecei a falar de Jesus à todas as pessoas que eu encontrava, então fui levantado obreiro e um ano depois já estava casado com uma linda mulher de Deus; estamos completando oito anos de um casamento feliz, servimos o Senhor Jesus no altar a sete anos e nunca deixaremos de dar ao mundo o que Deus, através da Igreja Universal do Reino de Deus nos proporcionou, a alegria da salvação e uma vida plenamente feliz.

Hoje em dia, minha mãe também teve sua vida sentimental restaurada. Não vive mais em casas alugadas. E eu? Bom, eu vivo no altar, me tornei alguém na vida, como poucos acreditavam, e agora com um Pai que nunca vai me deixar.

Deus abençoe a sua vida!

Ramires de Oliveira Machado. 

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